terça-feira, 19 de setembro de 2017

Municipio de Joaquim Távora: origens históricas ... em 1924

Prof.Me. Roberto Bondarik
bondarik@outlook.com 

Em 2017 o Município de Joaquim Távora completa oitenta e oito anos de emancipação politica e instalação, dados em 21 de setembro de 1929. Recebeu o nome do Capitão Joaquim Távora após a vitória da Revolução de 1930.
Suas origens remontam à posse da "Fazenda Jaboticabal da Barra Grande" estabelecida às margens do ribeirão Barra Grande que desagua no Rio das Cinzas. Posse reinvindicada por José Antonio Pinto da Fonseca que, em 1891, declarava te-la feita em 1850.
Os registros de medição da Fazenda teriam sumido em 1906, causando disputas e invasões, até que fossem regularizados pela ação dos advogados Affondo e Marins Camargo.
Em suas terras surgiu o povoado de "Barra Grande", "Barra do Cinzas" ou "Barra Velha" em 1910, transferido para o atual local onde hoje é a cidade de Guapirama em 1917.
O "Distrito da Barra Grande" foi criado em março de 1920, sendo transferido para a povoação de "Affonso Camargo" que se formava onde passaria o Ramal Ferroviário do Paranapanema. Destacou-se na instalação desse povado e distrito, o fazendeiro Miguel Dias.
Em 1924, quando da inauguração da Ferrovia São Paulo - Paraná, em seu primeiro trecho entre Ourinhos-SP e Cambará-PR, com a entrega da ponte ferroviária sobre o Rio Paranapanema, um grupo de jornalistas e politicos vieram pelo Ramal do Paranapanema, de trem desde Curitiba até Affonso Camargo. Fazia parte do grupo o jornalista e também historiador Romário Martins. 
Romário Martins produziu uma serie de textos, descrevendo a viagem e principalmente a região por onde passaram. A coletânea "Sertão em Flor: o Paraná cafeeiro" constitui-se em um dos primeiros relatos descritivos, histórico, geografico, social e que demonstrou uma preocupação ecológica com os destinos do Norte do Paraná. A parte quatro do Sertão em Flor trata especificamente de "Affonso Camargo", seu fundador Miguel Dias, a economia e a produção local naquele distante junho de 1924, há 93 anos.
A seguir o texto em questão no qual procurou-se manter a ortografia vigente àquele tempo.

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Sertão em Flor: o Paraná Cafeeiro - IV

“AFFONSO CAMARGO” SEDE DO DISTRICTO DE BARRA GRANDE – UM SERTANISTA DE VALOR – UMA FLORESTA DE PEROBEIRAS

Romário Martins


MARTINS, Romário. Sertão em Flor: o Paraná Cafeeiro – parte IV. O Dia, Curitiba-PR, pp.01 e 08, 22 jun. 1924.


            “Affonso Camargo” surgiu com a estrada de ferro. Seu fundador, Miguel Dias, emprestou, sem querer o seu nome ao logarejo de outrora. Era ahi, antes um sertão bruto, sem casas e lavouras, apenas habitado por esse sertanejo que se tornou celebre pela sua hospitalidade. Seu nome é conhecido de quantos se habituam ao sertão, e as amizades que conquistou perdem-se pelas regiões mais distantes de Minas e São Paulo.
            Miguel Dias é, na verdade, um sertanista sympathico, de feições leaes, de trato simples, mas sincero, comedido nos gestos e nas palavras, reservado, perscrutador, insinuante, positivo e ousado, sem se atrapalhar nos juízos que expede, sem perder a serenidade que o caracteriza.
            Deve-lhe a povoação – futura villa, tudo o que possue: as terras doadas, as ruas traçadas e abertas, o próprio local onde se assenta a linda estação, grande parte dos prédios que se erguem, a abertura de casas de negócio, hospedaria e outros melhoramentos notáveis.
            Existem actualmente 150 edificios, alguns bem acabados, outros de proporções avantajadas. Em derredor avista-se a matta rica de essências florestaes e de madeiras de lei. Duas serraria começam já a sua obra devastadora para atender reiteradas encomendas de S.Paulo.
            O pinheiro não existe. Substitue-o a peroba, o jequitibá, a canelleira, o cedro, a caviuna, a guajuvira, a cabreuva, o pao marfim e outras qualidades de madeira.
            Um movimento de carroças começa a sua faina entre a estação e Carlopolis, a villa mais próxima ligada por excelente estrada de rodagem mandada construir pelo Exmo. Sr. Presidente Munhoz da Rocha, a quem essa região nova deve já assignalados serviços.
            Uma outra estrada de rodagem, traçada e executada por um dos mais intelligentes lavradores dessa zona rica, o major José Infante Vieira, proporciona também vehiculos um trafego regular, transportando mercadorias da estação para Santo Antonio da Platina e Jacarezinho, ligação essa de poucos dias e para a qual o Presidente do Estado concorreu com um valioso auxílio em dinheiro.
            “Affonso de Camargo” será, dentro em pouco tempo, a sede um futuroso município. Os prédios que seus moradores começam a construir, dentro de um regimem sabiamente delineado pela previsão do benemérito fundador – Miguel Dias, já se apresentam dignos de uma cidade, sobre ruas e praças rigorosamente marcadas.
            Três hotéis attendem numerosa freguezia. Um deles mantem magnifico serviço de cozinha, quartos asseiados, garage para automóveis.
            As casas de commercio apresentam movimento considerável. Crescido número de forasteiros para ahi se dirige, á procura de terras para a abertura de sítios e fazendas. Dia a dia crescem as compras, avultam os negócios, effectuam-se largas empreitadas para a derrubada das mattas e plantio de cereaes.
            Alguns pontos do districto, os mais altos, prestam-se para a cultura do café, principalmente pelos lados da Pedra Branca, onde essa lavoura já se delinea, embora em pequena escala. Os outros logares são magníficos para a cultura do algodão, da cana de assucar, fumo, arroz, feijão e toda sorte de cereais. A engorda de porcos constitue, no momento, a maior riqueza.
            São na verdade admiráveis as florestas de peroba. Em uma faixa extensa, quase interminável, erguem-se milhares desses troncos de considerável diâmetro e altura, com suas frondes lá no alto, de folha meuda, sobre galhos retorcidos que se abrem para o sol. Enfileiram-se muito juntos dominando a matta. Assim erguidos, parecem indicar uma cultura adrede preparada, que muitas dezenas de anos de chuva e sol fizeram vingar, plenos de viço.
Encontram-se ás vezes arvores abatidas de fresco, pelo vendaval que conseguiu abrir os alicerces profundos, ou pelo machado inclemente do lenhador. Outras, o tronco já se confunde com o solo humano, sem casca, meio apodrecido pelo tempo, o mesmo tempo que o gerou e lhe deu todo explendor, que temperou o lenho para tornal-o aço rubro, de fibras retejadas, consistentes e longas. Causam piedade assim consumidos nomeio de companheiros mais afortunados que disfructam o grande banquete da Natureza, plenos de vida, dominando o azul do espaço, soberbos da sua força e da sua belleza.
Dentro em pouco, por ahi há de passar a indústria destruidora do machado e da serra. Derrubados, retalhados em toras, desdobrados em taboas, lá irão pelos trilhos a fora as perobeiras seculares, em demanda dos grandes centros, para a feitura do vigamento, das cobertas, do assoalho e dos batentes das casas.
Todo esse tronco desfeito embellezará cidades, será o pão de pobres operários suarentos, se transformará em riqueza de alguns, em metal espécie para o movimento dos bancos.
Desse sertão bruto restarão, por algum tempo, as raízes expostas e depois germinarão as searas que hão de florescer para os fructos, para a alegria do lavrador que as formou pelo trabalho constante.
Os troncos das perobeiras seculares não voltarão para reconstituir a matta de outrora; mas as searas hão de florescer todos os annos, com as chuvas e o sol das estações, e da mão do lavrador que enriquece passarão para outras mãos commerciantes até chegar ao seu glorioso destino: a vida humana. E ahi, por um prodígio de Deus, serão o sangue, calor, sentimento, intelligencia, vontade; luz dos olhos, pressentimentos, alegrias, lagrimas e dissabores, esperanças e desenganos. E como a perobeira que cresceu e teve pujança, que dominou pela força, que atrahiu a luz e as aves e que resistiu aos vendavaes de muitos annos, também esse outro tronco humano um dia tombará com o seu cortejo de esperanças, de sonhos e visões...






sábado, 18 de fevereiro de 2017

"A Estrada da Servidão" de Friedrich Hayek

Talvez essa seja a principal obra de Friedrich A. Hayek. Na época em que foi publicado foi considerado uma das mais significativas obras de sua geração, "The Road to Serfdom" foi um brado de alerta a respeito do autoritarismo e da intervenção estatal na economia e Mercado.

Esta deve ter sido a sua primeira publicação no Brasil (Agosto de 1945) trata-se de uma condensação na Revista Mensal "Seleções do Reader's Digest". Adquiri esse exemplar em sebo já há algum tempo, acredito que conhecimento deva ser compartilhado, como seria dificil para todos conseguirem a publicação original resolvi copiar cada pagina e compartilha-la por aqui.

Destaque-se que esta revista continua sendo publicada e distribuida no Brasil. Por meio dela, reportagens e especialmente condensações de livros, tomei contato com a cultura mundial, porque não dizer "Cultura Globalizada", desde o momento quem aprendi a ler.

Resolvi publicar essa sequëncia de paginas originais sob a forma de imagem devido a importancia desta obra, seu significado histórico e também por seu aspecto pitoresco.

(BASTA CLICAR NAS IMAGENS PARA AMPLIA-LAS)




























Para baixar o livro em sua versão integral publicada pelo Instituto Liberal clique no link a seguir: http://mises.org.br/Ebook.aspx?id=31



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O ESTUDO E O ENSINO DE ENGENHARIA EM CORNÉLIO PROCOPIO E BANDEIRANTES, NO NORTE PIONEIRO DO PARANÁ


Prof.Me. Roberto Bondarik

            O Norte Pioneiro do Paraná possui contemporaneamente uma variada oferta de cursos de formação nas áreas de Engenharia e Tecnologia. Pelos menos duas Instituições de Ensino Superior (IES) públicas, sendo uma Federal e outra Estadual, a saber: Universidade Tecnológica Federal do Paraná, com um Campus em Cornélio Procópio ( http://www.utfpr.edu.br/cornelioprocopio/cursos ) e a Universidade Estadual do Norte do Parana – UENP, em seu Campus Luiz Meneghel em Bandeirantes ( http://www.uenp.edu.br/clm  ).
            Na UTFPR, em Cornélio Procópio, são oferecidos os seguintes cursos relacionados à Engenharia e Tecnologia, em nível de Graduação, Mestrado e Doutorado:

ENGENHARIA
TECNOLOGIA
MESTRADO
DOUTORADO

De Software

Eletrônica

De Controle e Automação

De Computaçao

Elétrica

Mecânica

Análise e Desenvolvimento de Sistemas

Automação Industrial

Manutenção Industrial

Engenharia Elétrica

Informática

Mecânica

Engenharia Elétrica

            A Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, em seu Campus Luiz Meneghel em Bandeirantes são oferecidos os seguintes cursos:

ENGENHARIA
TECNOLOGIA
MESTRADO


Agronomia


Ciência da Computação


Sistemas de Informaçao



Agronomia





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CORNELIO PROCÓPIO - SETENTA E NOVE ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLITICA E INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO

CORNELIO PROCÓPIO - SETENTA E NOVE ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLITICA E INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO

Prof.Me. Roberto Bondarik


            Neste 15 de fevereiro de 2017 Cornélio Procópio, Norte Pioneiro do Paraná, completa setenta e nove anos de emancipação político-administrativa e de instalação do Município, acontecimento este registrado em 1938. O tempo de sua fundação porém retroage no tempo, dando a localidade uma antiguidade um pouco maior.
            A região havia sido mapeada em detalhes, pela primeira vez, em 1846 pelo sertanista Joaquim Francisco Lopes e pelo mapista John Henry Eliott, que a serviço do Barão de Antonina exploravam o Sertão do Rio Tibagi procurando estabelecer uma rota segura e viável para a locomoção de pessoas e transporte de mercadorias entre o litoral do Paraná e Mato Grosso. Coube aos dois exploradores identificar as nascentes e o curso, mapeando-o, do Rio Congonhas, assim batizado em referência a erva-mate existente, com considerável abundancia em seu curso. As margens desse rio foi estabelecida, em nome do Barão de Antonina, a posse denominada Fazenda Congonhas que mudaria de donos algumas vezes até ser, em 1924, confirmada como propriedade da Companhia Agrícola Barbosa, de Antonio Barbosa Ferraz Junior e seus filhos: Braulio e Leovegildo. Este ano, 1924, pode ser considerado como o ano de abertura de toda a região, onde hoje se situa Cornélio Procópio, para a ocupação, colonização e exploração econômica efetiva.
            O surgimento e desenvolvimento do núcleo urbano que deu origem a Cornélio Procópio faz parte de um ciclo de desenvolvimento econômico regional conduzido por companhias de colonização. As companhias eram modernas, econômica e administrativamente bem organizadas, algumas com o seu capital aberto em bolsas de valores no Brasil e na Europa. A fixação de 1924 com o marco temporal da efetiva ocupação da região de Cornélio Procópio e também do Norte do Paraná a partir do Rio Tibagi, fundamenta-se no fato de ter sido aquele o ano em que a Ferrovia São Paulo – Paraná, que aquele tempo prologava-se de Ourinhos, em São Paulo, até Cambará no Norte Pioneiro do Paraná, teve o seu controle financeiro transferido para investidores britânicos. Os ingleses também adquiriram, junto ao Governo, terras além do Rio Tibagi e que iriam estruturar, subdividir e vender para a colonização por meio de sua “Companhia de Terras Norte do Paraná”. O projeto inicial da ferrovia previa o seu prolongamento através do Norte do Paraná, passando pelas atuais Londrina, Apucarana, Campo Mourão, atingindo Guaíra no Rio Paraná e, cruzando-o, chegar até Assunção no Paraguai.
            A presença dos “ingleses” da Companhia de Terras Norte do Paraná deu a certeza do investimento necessário para a construção da Ferrovia São Paulo – Paraná. As terras por onde ela passaria já estavam definidas e foram adquiridas pelas já citadas companhias. Aos ingleses era reservado o rico filão que ia de Londrina até Cianorte, passando pela atual Maringá.



As terras entre o Rio Laranjinha e o Congonhas foram adquiridas por dois investidores de considerável peso econômico e financeiro para a época: Francisco da Cunha Junqueira e Companhia Agrícola Barbosa. O primeiro deteve as terras do rio Laranjinha, daí o nome Gleba Laranjinha, até o divisor de aguas da bacia hidrográfica deste com o Congonhas e; o segundo deste ponto até as margens do Congonhas, toda a gleba da Fazenda Congonhas. Onde as glebas se encontravam, na ponta do espigão chamado por John Henry Eliott de “Cordilheira” ou “Serra do Laranjinha”, foi estabelecido o núcleo urbano de Cornélio Procópio. Uma cidade planejada, como seriam quase todas as demais do Norte do Paraná sob a ação das companhias colonizadoras.



A localização de Cornélio Procópio, segundo Paulo Dias Ribeiro, já constava dos projetos de ocupação e subdivisão da Gleba Laranjinha. Seu nome remetia ao sogro de Francisco da Cunha Junqueira, que falecido em 1909 nunca conheceu o Norte Pioneiro do Paraná. O sitio urbano era planejado e perfeitamente esquadrejado tendo por centro a atual Praça Brasil, ampliações foram feitas após a chegada da Ferrovia. A medição e delimitação das áreas rurais vendidas e o estabelecimento do local e divisão dos lotes urbanos foi o primeiro grande trabalho de engenharia em Cornélio Procópio.
As dificuldades do sertão, a crise econômica de 1929 que fez minguar os investimentos internacionais, a queda dos preços do café, a Revolução de 1930, constituem-se em fatores que fizeram a chegada dos trilhos da São Paulo – Paraná atingirem a Estação Cornélio Procópio, no seu “Quilometro 125” remontar a 1930. A importância econômica do negócio imobiliário capitaneado pelos ingleses no Norte do Paraná pode ser medido pela visita, em 1931, as obras da Ferrovia, de um dos acionistas da Companhia de Terras Norte do Paraná: o Príncipe de Gales, futuro rei britânico Eduardo VIII e seu irmão Jorge, Duque de Kent.



A ocupação maciça do núcleo urbano e do entorno de Cornélio Procópio acelerou-se após a chegada da ferrovia, mas já havia desde 1929 uma estrada de rodagem que se prolongava desde Cambará até Jataizinho. Entrando pelo atual Igarapava, a estrada de rodagem atingia a Fazenda Congonhas bem próximo a cidade projetada, por ela vieram os primeiros compradores de lotes e terras da Gleba da Fazenda Congonhas e das datas do atual Distrito de Congonhas, núcleo urbano projetado pela Companhia Agrícola Barbosa. Ao longo dessa estrada fixaram-se os primeiros habitantes modernos do Município.



A fertilidade das terras e as oportunidades de negócio atraíram para a região milhares de pessoas. Em 1924 a região pertencia ainda ao Município de Jacarezinho e em 1934 passou a pertencer ao Município de Bandeirantes. O desenvolvimento subsequente conduziram à consolidação da povoação e sua transformação em Município e Comarca, tudo no mesmo dia em 1938.

Setenta e nove anos de emancipação política e pelo menos noventa e dois anos de delimitação do núcleo urbano. Uma história quase secular.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Reportagem do Jornal Folha de Londrina sobre os oitenta e cinco anos do Combate de Quatiguá na Revolução de 1930

A FOLHA DE LONDRINA publicou em seu caderno do Norte Pioneiro, uma matéria feita pela Jornalista Rúbia Pimenta a respeito dos 85 anos do Combate entre gauchos e paulistas ocorrido em Quatiguá-Pr durante a Revolução de 1930.  Este Jornal tem prestado um grande serviço à região do Norte Pioneiro e ao Paraná resgatando e divulgando fatos de nossa história. A publicação ocorreu em 28 de outubro de 2015 e reproduzo o texto em seguida logo após os links do jornal com a reportagem:

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--2711-20151028&tit=combate+de+quatigua+faz+85+anos

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--2712-20151028


Combate de Quatiguá faz 85 anos

Norte Pioneiro foi palco do principal combate da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder

Rubia Pimenta
Especial para a FOLHA

PIMENTA, Rúbia. Combate de Quatiguá faz 85 anos. Folha de Londrina, Caderno Norte Pioneiro, p. 02, 28 out. 2015.

Quatiguá - O ano era 1930. No mês de outubro, o Brasil fervilhava, sentindo as consequências da crise econômica de 1929 e de uma iminente guerra civil. No Rio Grande do Sul tropas do Exército se rebelaram e exigiam a queda do presidente Washington Luiz, clamando pela posse de Getúlio Vargas. Nesse cenário, o Norte Pioneiro do Paraná teve um papel fundamental: foi palco do principal combate da Revolução de 1930, colocando os rebeldes gaúchos de um lado, e os militares paulistas, apoiadores do governo federal, do outro. 

"Foi, sem dúvida, o principal confronto, pois mostrou ao governo federal a força dos rebeldes. O Combate de Quatiguá envolveu mais 3 mil homens, militares profissionais de ambos os lados, e deixou muitos mortos", afirma o historiador Roberto Bondarik, que é estudioso do assunto, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Cornélio Procópio. 
Logo após o estopim da revolução, apoiadores de Getúlio Vargas na região tomaram a ferrovia de Jaguariaíva. Uma tropa de elite da Brigada Militar gaúcha, formada por aproximadamente 300 homens, foi mandada para a região para fortificar o ponto. Esses militares travaram o primeiro combate com os paulistas, em Joaquim Távora, no dia 10 de outubro. A vitória foi dos gaúchos, que fizeram cerca de 50 prisioneiros.

Roberto Bondarik - Folha de Londrina 28/10/2015


Logo em seguida, os gaúchos se dirigiram a Quatiguá (na época um distrito de Joaquim Távora) para dominar a ferrovia ali localizada. "A ferrovia de Joaquim Távora, onde estavam, era de difícil defesa, e eles temiam ser cercados. A de Quatiguá era mais fácil de defender por ser próxima a uma serra e precipícios", conta Bondarik. 
O Norte Pioneiro era uma região considerada estratégica para ambos os lados. Por sua proximidade com São Paulo, os gaúchos viam ali uma importante passagem para chegar à Minas e ao Rio de Janeiro, enquanto que os apoiadores do governo federal desejavam frear a subida dos rebeldes para o restante do País. 
Outro fator importante para trazer o combate para a região foi o forte apoio que os cafeicultores deram à revolução. "Eram entusiastas de Getúlio e das ideias revolucionárias. Nas eleições presidenciais em Ribeirão Claro, um reduto getulista, todos os opositores foram presos e colocados sob a mira de metralhadoras para não votarem. Existiam fraudes descaradas nas eleições na época, com prisões e ameaças, por isso só venciam os grupos ligados às oligarquias de Minas Gerais e São Paulo. Tudo isso foi revoltando o país, até chegar ao estopim da Revolução de 1930", lembra o historiador. 



O PRIMEIRO COMBATE


O primeiro combate em Quatiguá ocorreu no dia 12 de outubro, quando os militares paulistas tentaram retomar a ferrovia do pequeno vilarejo, mas foram vencidos pelos gaúchos. "No cair da noite os paulistas se alojaram na região. O reforço gaúcho chegou no mesmo dia, liderado pelo coronel Alcides Gonçalves Etchegoyen, e visualizou a localização dos paulistas. Traçaram um bom plano, atacando-os já ao amanhecer", explica o professor.
O reforço gaúcho veio em seis comboios de trem, formando um destacamento inicialmente com 2.014 homens, fortemente armados com metralhadoras e canhões. Ao todo, cerca de 3,5 mil soldados combateram, dando a vitória aos rebeldes. Centenas foram feridos e mortos. Não é possível, no entanto, estimar a quantidade de óbitos. "O relatório do coronel Etchegoyen contabiliza cerca de 500 baixas para os paulistas, mas jornais e relatórios da época dão entre 20 e 200 mortos." 
A vitória gaúcha repercutiu em todo o país, ressalta o professor. "A forma como as tropas paulistas fugiram de forma desorganizada para seu estado, balançou o governo federal fortemente. O combate demonstrou a capacidade de logística de transporte dos rebeldes, sua organização e disciplina, além da determinação em vencer." No dia 24 de outubro de 1930, tropas revolucionárias marcham sobre o Rio de Janeiro e tomaram o poder, dando início a era Vargas.

Cidade guarda alguns rastros da história


Quatiguá – Na segunda-feira, Quatiguá completou 68 anos de sua elevação a município e, atualmente, possui cerca de 7,1 mil habitantes e ainda guarda alguns rastros desse importante combate. Um deles é o monumento erguido no meio da Praça Expedicionário Eurídes Fernandes do Nascimento, em homenagem aos combatentes que morreram no conflito. "Mas poucos são os que sabem da importância histórica. A maioria não entende, nem eu sei muito", admite o secretário de Finanças, Administração e Planejamento de Quatiguá, Álvaro Simonete. 
Entre a população mais velha, no entanto, muitos ainda contam casos de familiares que viveram aquele tempo. Entre eles o diretor de rádio Adailton Ribas Lopes, 68 anos. "Meu tio foi preso pelos rebeldes. Ele tinha uma fazenda com gado, e os soldados confiscaram tudo para se alimentarem. Ele contava que foi colocado em um buraco e obrigado a gritar ‘Viva Getúlio’", lembra. 
Um fato histórico, tomado como lenda por alguns, é que existem muitos soldados paulistas enterrados sob o monumento da praça. "Existem os relatos da época de que isso é realmente verdade, mas até hoje não encontrei uma comprovação documental. Ninguém desenterrou nada na praça para confirmar", afirma o historiador Roberto Bondarik. 
Segundo Bondarik, a chegada das tropas apavorou os moradores da pacata região na época. "Há relatos de que parte da população pensava que os gaúchos eram comunistas, outros diziam que eram assaltantes, baderneiros. Eles não tinham noção da revolução política que o país passava naquela época", analisa. 
O radialista lamenta o fato desse capítulo da história do município estar se perdendo. "Como as pessoas que viveram aquela época morreram, a nova geração pouco sabe dessa história. Nem mesmo as escolas a trabalham muito. Pouco material, como livros ou informativos, existem na cidade. Acredito que é um patrimônio da nossa região, e deveria ser melhor preservado e divulgado para a comunidade", sugere Adailton Lopes. (R.P.)

Rubia Pimenta
Especial para a FOLHA



Para fazer a referencia deste texto:

PIMENTA, Rúbia. Combate de Quatiguá faz 85 anos. Folha de Londrina, Caderno Norte Pioneiro, p. 02, 28 out. 2015.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

85 ANOS DO COMBATE DE QUATIGUÁ - REVOLUÇÃO DE 1930 NO NORTE PIONEIRO DO PARANÁ

Prof. Me. Roberto Bondarik
Docente e Pesquisador
 Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
Campus Cornélio Procópio

Entre 3 e 24 de outubro de 1930 uma Revolução a partir do Rio Grande do Sul, Paraíba e Minas Gerais encerraria a República Velha no Brasil e colocaria Getúlio Vargas no poder. Surgida da revolta com a manipulação da eleição presidencial que derrotou Vargas, a Revolução foi potencializada pelo assassinato do seu candidato a vice, João Pessoa. O Paraná e o seu Norte Pioneiro foram essenciais para o sucesso do movimento.
A Brigada Militar e voluntários avançaram pela Ferrovia São Paulo-Rio Grande controlando-a até Porto União e União da Vitória em 4 de outubro. No mesmo dia em Ponta Grossa o governo local foi assumido por Alcebíades Miranda, comandante do 13ºRI que se rebelou. Ponta Grossa e sua posição estratégica representou metade da vitória da Revolução que avançou rumo a São Paulo.
Em Jaguariaíva no final do dia 3, rebeldes tentaram tomar a prefeitura e a sede da Policia, conforme o planejado deveriam controlar a ferrovia até a chegada dos gaúchos. Eles haviam tomado Barra Bonita (Ibaiti), Tomazina e Wenceslau Braz seus líderes eram Paulo Chueire da Colônia Mineira (Siqueira Campos) e o Major Infante Vieira. Estavam em preparação desde março de 1930. Gustavo Lessa, médico em Jacarezinho, Barbosa Ferraz em Cambará, os fazendeiros e engenheiros Moreira Lima em Ribeirão Claro e Coriolano de Lima em Santo Antônio da Platina já haviam atuado na campanha da Aliança Liberal de Getúlio Vargas. A eleição em Ribeirão Claro havia sido um show de arbitrariedades, prisão de opositores às véspera da votação controlada pela polícia, ocupação militar da cidade, etc.
Em Curitiba o Exército e a Policia Militar aderiram a Revolução na madrugada de 5 de outubro. O Presidente do Paraná, Afonso Camargo fugiu para São Paulo, deixando dez meses de atraso no pagamento de professores e policiais. O General Tourinho assumiu o Governo do Estado.
Castro no dia 7, sede do 5º Regimento de Cavalaria que fiel ao Governo Federal retirou-se para São Paulo, foi ocupada pelo Capitão Airton Playsant do 13ºRI que tomou Jaguariaíva e seguiu para Sengés. O esquadrão de cavalaria da Brigada Militar do tenente Trajano Marinho com seus duzentos homens rumou para o Norte Pioneiro, controlando Siqueira Campos dia 9 e na Estação Afonso Camargo (Joaquim Távora) no dia 10 enfrentaram e venceram uma companhia da Força Pública.
Recuado para a Estação Quatiguá o Esquadrão Marinho foi atacado dia 11. Em 12 de outubro as seis da manhã foram reforçados pelo chegada do 1ºBC do Destacamento do Coronel Alcides Etchegoyen, composto por tropas regulares do Exército e Brigada Militar, de grande poder ofensivo, com nove canhões trazidos desde Cruz Alta. Transportado por oito composições, tinha inicialmente 2.014 homens.
O Governo Federal concentrou tropas em Itararé e Ourinhos, eram do Exército e da Força Pública. Ocuparam Cambará, Ribeirão Claro, Santo Antônio da Platina e Carlópolis com objetivo de cortar a ferrovia em Jaguariaíva. A censura à imprensa e as informações pelo Governo Federal fizeram os soldados pensarem combater bandoleiros comunistas e não militares rebelados. Para tomar Quatiguá mandaram a Força Pública, o 4ºRI do Exército, sediado na Vila Quitaúna de Osasco-SP e legionários civis do Deputado Ataliba Leonel, eram mais de 1.800 homens. O ataque começou ao final do dia 12, a chuva torrencial e a escuridão da noite permitiram a chegada do Coronel Etchegoyen com reforços. Na alvorada do dia 13, quase dois mil gaúchos, apoiados pela artilharia, avançaram sobre os paulistas fazendo-os recuar em desordem. A falta de cavalos impediu a perseguição aos legalistas que abandonaram o Paraná destruindo barcos, e todas as pontes sobre o Paranapanema. Morreram muitos soldados de ambos os lados. Os rebeldes controlaram a região e quando iriam invadir São Paulo com destino a Bauru, o Sul de Minas e o Rio de Janeiro, Washington Luiz foi deposto e a Revolução declarada vitoriosa.
Em Sengés a partir do dia 14 houve a concentração de tropas rebeldes. Na Fazenda Morungava houveram combates, com duelos de artilharia. Bombardeio aéreo pela Força Pública paulista sobre Jaguariaíva e Sengés. A maior batalha da América do Sul em Itararé-SSP não ocorreu, já era 24 de outubro e a República Velha chegou ao fim.

O Paraná por sua posição geográfica, a ferrovia que o cortava e pela ação pronta de seus cidadãos foi fundamental para a transformação que o Brasil esperava naquele momento. A ação rápida dos paranaenses foi como um lava-jato limpando caminho para a mudança, a esperança e a construção de um Brasil novo.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Cornélio Procópio: origens históricas.

Texto publicado no Caderno Especial da Folha de Londrina em 15 de fevereiro de 2015.

FOLHA DE LONDRINA, Domingo, 15 de Fevereiro de 2015 – Ano 66 – Edição 20.112. CADERNO ESPECIAL CORNÉLIO PROCÓPIO 77 ANOS.  Pagina 12

Abaixo o texto original e a versão resumida (imagem) que foi publicada pelo jornal 


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Cornélio Procópio: origens históricas
Prof. Me. Roberto Bondarik
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
bondarik@utfpr.edu.br / profbondarik@gmail.com

Quando o Coronel Cornélio Procópio de Araújo Carvalho faleceu em 22 de outubro de 1909 talvez ele nunca imaginasse que seu nome fosse batizar um município com quase cinquenta mil habitantes no Norte Pioneiro do Paraná. Uma terra que nunca conheceu e muito menos foi proprietário. Cornélio Procópio nasceu em 06 de janeiro de 1857e Aiuruoca no Sul de Minas Gerais, foi fazendeiro e comerciante, encontra-se sepultado no Cemitério da Consolação em São Paulo. A história da cidade e município que leva seu nome possui raízes cravadas no tempo, seus registros remontam ao século XIX e são dignas de nota.
A região do sertão do Rio Congonhas foi mapeada e explorada em 1846 por Joaquim Francisco Lopes e John Henry Elliot, sertanistas sob as ordens do Barão de Antonina que era um fazendeiro dos Campos Gerais e dono de tropas de mulas. Buscavam eles os Campos do Paiquerê e uma rota para o Mato Grosso. Os dois exploradores firmaram naquele ano a “Posse do Congonhas” ou Fazenda Congonhas em nome do Barão. Foram eles que deram nome a esse rio em virtude da erva-mate (congonha) que havia em suas nascentes. Ela abrangia todas as terras em ambas as margens desde sua nascente até a foz no Rio Tibagi, englobava toda a bacia hidrográfica do Congonhas.  Não consta que essas terras foram colonizadas ou subdivididas naquele tempo. Em 1891 os herdeiros do Barão venderam grande parte de suas terras à Ildefonso Mendes de Sá. Nesta época os limites da Fazenda Congonhas são apontados nos mapas que mostram os lotes da Colônia Militar do Jatahy (Jataizinho). Olegário Rodrigues de Macedo e José Marcondes de Albuquerque compram a fazenda em 1893. Em 1900 Olegário tornou-se o único proprietário até vende-la à José Pedro da Silva Carvalho. Mesmo com tantos donos se revezando acredita-se que não houve ocupação efetiva das terras da Fazenda Congonhas. Situação que mudaria a partir da década de 1920.
A chegada da ferrovia a Ourinhos-SP em 1908 mudaram as perspectivas econômicas do Norte do Paraná. Surgiu um projeto de construção de uma estrada de ferro ligando Ourinhos até Assunção, capital do Paraguai, passando por Guaira. Em 1920 um grupo de empresários recebeu a concessão para a construção dessa ferrovia, faziam parte dele: Antonio Barbosa Ferraz e seus filhos Leovegildo e Braulio, Willie da Fonseca Brabazon Davis e Manoel da Silveira Corrêa. Receberam exclusividade da exploração, isenção para importação de equipamentos e componentes além de uma compensação de 28:800$000 (vinte e oito contos e oitocentos mil-reis) em terras ou o equivalente a 3.600 hectares por quilometro de estrada construída e em funcionamento. Em 1924 o primeiro trecho até Cambará ficou pronto mas por ali ficou até que empresários britânicos da Paraná Plantations adquirissem o controle da Ferrovia São Paulo – Paraná e a prolongassem até as terras da sua Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), de Londrina em diante. Construída pela empresa MacDonald, Gibbs & Co, de Londres a ferrovia atingiu Andirá em abril de 1930, Bandeirantes em Julho, Santa Mariana no Km 107 e Cornélio Procópio tiveram suas estações entregues em 1º de dezembro de 1930. Em 1931 chegariam às margens do Tibagi em Jataizinho e em 1934 com a conclusão da ponte ferroviário sobre esse rio seguiriam os trilhos pelo Norte do Paraná até ultrapassar Londrina.
O projeto da ferrovia e o seu traçado eram de conhecimento de muitos, aos ingleses interessava à estrada de ferro, cuja expertise dominavam, e as terras da CTNP. Por onde os trilhos passassem a possibilidade de valorização das terras era muito grande e isto atraiu a atenção de investidores paulistas que adquiriram as antigas posses e fazendas ainda de mata fechada pelo caminho. Assim Francisco da Cunha Junqueira, também fazendeiro e empresário em São Paulo adquiriu em 1923, terras da Fazenda Laranjinha, dando origem a gleba do mesmo nome. Eram terras por onde passaria a ferrovia e se estendiam das margens do Rio Laranjinha até o serro divisor de águas da bacia desse rio com o Congonhas. Cunha Junqueira era genro e ao mesmo tempo sobrinho de Cornélio Procópio e em suas terras projetou dois núcleos urbanos Santa Mariana, nome em homenagem a sua esposa e Cornélio Procópio em honra a seu falecido sogro. O projeto das duas futuras cidades já existia em 1924.
O envolvimento de Cunha Junqueira com o Partido Democrático de São Paulo, a Revolução de 1930, sua participação como Secretário da Agricultura e envolvimento com Revolução Constitucionalista de 1932 fizeram com que ele fosse exilado do Brasil. Sua esposa vendeu as terras e os projetos de colonização da Gleba Laranjinha para Francisco Moreira da Costa e Antônio Paiva Junior da Colonizadora Paiva & Moreira. Esta empresa que iria efetivamente conduzir a venda dos lotes urbanos e rurais das duas cidades e promover a sua colonização.
A outra parte do território do que hoje é Cornélio Procópio, a Fazenda Congonhas, foi adquirida em 1923 por Antônio Barbosa Ferraz e seus filhos da Companhia Agrícola Barbosa, de Cambará. Comprada de José Pedro da Silva Carvalho, a Fazendo Congonhas teve a sua posse contestada por herdeiros do Barão de Antonina em um processo judicial demorado mas ao final vencido pela Cia Barbosa que teve como advogado Francisco Morato. Os Barbosa possuíam influência junto ao Governo do Paraná, sendo que Bráulio Barboza Ferraz era prefeito de Cambará quando o Estado financiou e a prefeitura de Cambará construiu uma rodovia carroçável desde aquela cidade até Jataizinho, concluída em 1929. Foram construídas pontes com base de pedra e concreto sobre os rios das Cinzas e Congonhas, passando próximo a Carvalhopolis (Abatiá) e Santa Amélia, cruzava o rio Laranjinha e seguia pelo bairro Igarapava já em terras procopenses e atingia a Gleba Congonhas próximo à Casa João Paulo II já nos limites urbanos atuais de Cornélio Procópio. Em algum lugar ali foi erguido do “Armazém Velho” onde um representante da Cia Barbosa levava os compradores até seus lotes adquiridos. Às margens da rodovia e no centro da gleba foi planejado e instalado o centro urbano de Congonhas, o primeiro a ser levantado no que é hoje o município recebendo compradores desde a conclusão da estrada. A ferrovia chegaria a Congonhas em 1931.

As duas glebas, Congonhas e Laranjinha, deram origem ao Município de Cornélio Procópio, suas terras se limitavam no que hoje é a cidade sendo que cerca da metade da área urbana pertencia a cada uma delas. Sem a ferrovia e sem os investidores que vislumbraram possibilidades de negócio na região com certeza iria demorar um pouco mais para que o Norte do Paraná se integrasse de forma produtiva, gerando riquezas, ao Brasil.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A REGULAMENTAÇÃO DAS EDIFICAÇÕES EM MADEIRA E ALVENARIA EM JOAQUIM TÁVORA E QUATIGUÁ EM 1937



Professor Mestre Roberto Bondarik
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
bondarik@utfpr.edu.br / profbondarik@gmail.com


Em 1937 a Câmara de Vereadores de Joaquim Távora resolveu disciplinar as construções nas ruas e avenidas principais da cidade de Joaquim Távora e de seu então Distrito de Quatiguá. As construções novas em madeira foram proibidas e aquelas existentes quando reformadas ou precisassem de pintura nova deveriam ter pelo menos a sua fachada edificada em alvenaria (tijolos). A mesma lei deu isenção do imposto predial por cerca de quatro a cinco anos para aqueles que fizessem novos prédios em alvenaria. Imagina-se que as ruas atingidas por essa lei fossem ruas comerciais e de movimento, o objetivo da Câmara e da Prefeitura deve ter sido dar um ar de organização, modernização e prosperidade à sede do Município e a seu principal Distrito.

É muito comum ainda vermos nas ruas das duas cidades, Quatiguá e Joaquim Távora, estes prédios comerciais e mesmo residenciais com a fachada em tijolos e o restante em madeira. Nas fotos abaixo esta um exemplo desses, o antigo estabelecimento do Sr. Orlando Pontes na Avenida Dr. João Pessoa em Quatiguá, as imagens foram tiradas em 07 de Junho de 2006.

(Fonte: Roberto Bondarik - 07 de Junho de 2006)

(Fonte: Roberto Bondarik - 07 de Junho de 2006)

Interessante que esse prédio mantinha pelo menos duas de suas portas ainda originais enquanto a terceira já era modernizada, basculante de enrrolar.


O antigo hotel de Quatiguá, hoje demolido, também foi exemplo de uma construção parte em alvenaria e parte em madeira.


Abaixo o texto da lei nº 13 de 03 de Julho de 1937, publicada pelo jornal "O Estado" em Curitiba em 13 de Novembro do mesmo ano, página 07.

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Lei nº 13 de 03 de Julho de 1937, do Município de Joaquim Távora




            O cidadão João Paes Carvalho Filho, Prefeito Municipal de Joaquim Távora, Comarca de Santo Antônio da Platina, Estado do Paraná.

            FAÇO saber a todos os habitantes do Município que a Câmara Municipal decretou e eu sanciono a Lei seguinte:

            Art. 1º - Ficam proibidas as construções de casas de madeira nesta Vila, nas ruas 21 de Setembro e Barra Grande, nos trechos compreendidos da Avenida Paraná à rua Ipiranga, e nas ruas Jerônimo Vaz Vieira e Munhoz da Rocha, nos trechos compreendidos da rua 21 de Setembro à rua Barra Grande. Ficam também proibidas as referidas construções na avenida Paraná. Idêntica proibição é extensiva à Avenida João Pessoa no Distrito de Quatiguá.
            Parágrafo Único – Só é permitida a reconstrução (reforma, pinturas, etc) das frentes de casas de madeira existentes nas ruas e avenidas a que se refere o Art.1º, se a frente das mesmas forem construídas em alvenaria.

            Art. 2º - Só é permitida a construção de casas de madeira nos trechos de ruas a que se refere o Art.1º, cinco (5) metros para dentro do alinhamento, construindo na frente muro ou mureta.

            Art. 3º - Nenhuma construção poderá ser feita sem a previa aprovação da respectiva planta pela Prefeitura.

            Art.4º - Fica o Executivo autorizado a conceder isenção de imposto predial por quatro (4) anos a todo o proprietário de prédio de alvenaria ainda não lançado, que for construído nesta Vila e no Distrito de Quatiguá, dentro de cinco (5) anos, a contar de 1º de Janeiro de 1937 a 31 de Dezembro de 1941.
            Parágrafo Único – Não gozará da isenção de impostos a que se refere este Artigo, o prédio ou parte de prédio construído de madeira, contiguo à construção favorecida.

            Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário.

            MANDO, portanto, a todos aqueles a quem o conhecimento e observância da presente Lei pertencerem, que a cumpram tão inteiramente como nela se contem. O Secretario a faça imprimir, publicar e afixar.


Gabinete da Prefeitura Municipal de Joaquim Távora, em 3 de Julho de 1937.



João Paes Carvalho Filho
Prefeito Municipal

Francisco Benedetti
Secretario Contador Int.



Publicado no jornal “O ESTADO” – Curitiba, Terça-feira, 13 de Julho de 1937, p.7